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De Petrópolis a Shiraz: Embaixada do Irã celebra o Dia Nacional de Hafez com homenagem a Manuel Bandeira
Por ocasião do Dia Nacional de Shams-ud-Din Muhammad Hafez de Shiraz a Embaixada da República Islâmica do Irã em Brasília homenageou o diálogo literário histórico entre o Irã e o Brasil através dos versos compostos pelo mestre modernista Manuel Bandeira em 1943.
No marco das comemorações do Dia Nacional de Hafez — uma das datas mais expressivas do calendário cultural do Irã —, a Embaixada da República Islâmica do Irã no Brasil promoveu uma ação cultural e audiovisual especial, resgatando um marco singular na história do intercâmbio poético entre as duas nações. Reconhecido no Oriente e no Ocidente como um dos maiores expoentes da poesia lírica e mística persa, Khwaja Hafez de Shiraz (século XIV) — carinhosamente chamado de *Lisan al-Ghaib* («A Voz dos Mistérios do Invisível») — é uma figura canônica cujos versos celebram a dignidade da alma humana, o amor universal, a tolerância e a superação dos dogmatismos. Essa ressonância humanista atravessou oceanos e encontrou solo fecundo nas letras brasileiras. Em 1943, nas colinas de Petrópolis (RJ), Manuel Bandeira (1886–1968), um dos maiores artífices do Modernismo brasileiro e membro imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), adotou a estrutura clássica e a rima do *gazal* persa para compor o memorável poema *“Gazal em Louvor de Hafiz”*. Na obra, Bandeira estabelece uma comunhão íntima com a melancolia e a sabedoria existencial do mestre de Shiraz, proclamando a eternidade da palavra poética sobre a efemeridade das coisas terrenas. Em sinal de respeito recíproco e celebração a esse encontro de sensibilidades, o Embaixador da República Islâmica do Irã em Brasília gravou um pronunciamento especial no Salão Nobre da representação diplomática, cercado pela arte e tapeçaria tradicional persa, recitando a versão em persa dos versos de Bandeira em homenagem aos dois grandes luminares das literaturas persa e brasileira:    Gazal em Louvor de Hafiz (Manuel Bandeira, Petrópolis, 1943)  Escuta o gazal que fiz,   Darling, em louvor de Hafiz:      Poeta de Chiraz, teu verso   Tuas mágoas e as minhas diz.     Pois no mistério do mundo   Também me sinto infeliz.     Falaste: “Amarei constante   Aquela que não me quis.”     E as filhas de Samarcanda,   Cameleiros e sufis     Ainda repetem os cantos   Em que choras e sorris.     As bem-amadas ingratas,   São pó; tu, vives, Hafiz!   Ao concluir a homenagem, o Embaixador transmitiu seus votos de feliz Dia de Hafez ao povo iraniano, à comunidade brasileira de estudiosos da literatura e aos admiradores da arte poética no Brasil, sublinhando que a diplomacia cultural cumpre seu papel mais nobre quando revela as pontes de sensibilidade, amizade e compreensão que aproximam Teerã e Brasília através dos séculos.  
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